A cada dia uma nova surpresa no Aterro Sanitário de Resíduos Privado de Simões Filho na Bahia. O Blog Dinheiro Público noticiou, em 26 de abril de 2026, a existência de uma “LAGOA AZUL” dentro desse aterro sanitário privado no município de Simões Filho na Bahia. Um escândalo!!!
A Lagoa Azul está junto a uma célula de recebimento de resíduos sólidos urbanos, lixo domiciliar e público, e trata-se de uma nascente que vem a ser a porta de acesso a contaminação das águas subterrâneas no aquífero São Sebastião, indicando conflitos de governança administrativa ambiental e de graves omissões frente as fragilidades identificadas no aterro sanitário em Simões Filho/BA.
A matéria com o título “LAGOA AZUL”: AFLORAMENTOS DE ÁGUA CRISTALINA NO ATERRO SANITÁRIO EM ÁREA DE PROTEÇÃO AMBIENTAL EM SIMÕES FILHO NA BAHIA, você leitor pode ler no endereço da internet a seguir:
Inacreditavelmente na data dessa quarta-feira, 29 de abril de 2026, foi descoberta uma segunda “lagoa azul” no Brasil, essa sob milhares de toneladas de terra e lixo, e que está localizada no mesmo aterro sanitário de Simões Filho/BA, onde se identificou uma nascente de águas cristalinas. Imagens de satélites obtidas com exclusividade pelo Blog fazem prova da existência dessa segunda “lagoa azul” de águas cristalinas.

As Imagens de satélite,
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e Google Earth Pró de abril/2024,
mostram claramente os dois afloramentos/nascentes com águas cristalinas que estão situados numa propriedade privada, no interior de um aterro de lixo, inserido na área de proteção ambiental (APA) Joanes-Ipitanga, quando a empresa privada iniciou as escavações no local para receber milhares de toneladas de resíduos sólidos, e que agora pretende ampliar o empreendimento, contrariando o Parecer Técnico COINE/DIRRE, elaborado por técnicos comprometidos do INEMA em 2017. O Parecer posteriormente foi desconsiderado no processo de Licenciamento desse aterro.

O Ministério Público Federal (MPF) da Bahia deve fazer uma inspeção urgente no aterro sanitário privado localizado na cidade de Simões Filho/BA antes que a “Lagoa Azul”, que ainda resiste, seja destruída e aterrada, uma verdadeira aberração a olhos vistos em Simões Filho/BA.
A emissão das licenças de instalação e operação, concedida ilicitamente pelo INEMA/BA a empresa dona do empreendimento, revela um grave quadro de irregularidades, omissões envolvendo o órgão ambiental da Bahia.
É assustador o quadro de degradação no interior da APA Joanes-Ipitanga.
A análise técnica do próprio INEMA apontou severas e graves deficiências nos estudos hidrogeológicos apresentados pela empresa responsável pelo aterro privado em Simões Filho.
A amostragem foi considerada insuficiente, pois os furos de sondagem do sistema SIAGAS (CPRM) encontravam-se FORA DA POLIGONAL DO EMPREENDIMENTO, e apenas dois furos (SP 06 e SP 09) foram realizados no limite da área de ocupação econômica. Essa insuficiência de dados impediu a conclusão segura sobre o tipo de material geológico e a distância da base da célula do aterro ao lençol freático, situação que agora se revela de alta gravidade, confirmando os perigos e riscos associados ao empreendimento.
Além disso, o parecer do próprio INEMA alertava para o risco de contaminação do Sistema Aquífero Marizal-São Sebastião (SAMSS). O fluxo de águas subterrâneas tem como principal caminho o Rio Joanes, e a porção livre do aquífero pode interferir na porção confinada, atingindo a calha do rio, comprometendo a qualidade da água da barragem que abastece a Região Metropolitana de Salvador (RMS).
A presença de nascentes e afloramentos no interior da área destinada ao aterro foi confirmada, caracterizando grave violação frontal à NBR 13.896/1997 (item 4.1.1), que exige distância mínima de 200 metros de qualquer coleção hídrica ou curso de água, e ao Código Florestal (Lei nº 12.651/2012), que define essas áreas como Áreas de Preservação Permanente (APP). Um verdadeiro escárnio!

“A Saga da Lagoa Azul” em Simões Filho/BA: Quando a Natureza Desmente a Licença Ambiental
Nas nossas vidas cotidianas ocorrem eventos que merecem ser destacados, como a persistência de um aquífero que se recusa a desaparecer. Há um detalhe incômodo que a natureza insiste em revelar no aterro sanitário privado em Simões Filho/BA: as nascentes não leem pareceres técnicos.
Enquanto o INEMA indeferiu a Licença Prévia da atividade em 2018, apontando 11 afloramentos e nascentes na área, a empresa e alguns técnicos simplesmente ignoraram a recomendação e construíram o aterro sanitário sobre elas.
Agora, em 2026, oito anos depois de negar o pedido de Licença Prévia, a natureza continua fazendo seu trabalho: o aquífero São Sebastião, aquele mesmo que abastece 1 milhão de habitantes na Região Metropolitana de Salvador, insiste em aflorar suas águas cristalinas a menos de 100 metros das pilhas de lixo. É uma “Lagoa Azul” que ninguém pediu, mas que a realidade geológica teimosamente oferece como prova de uma fraude ambiental que se perpetua no INEMA/BA.
O Parecer que Ninguém Leu (ou Fingiu Não Ler)
O Parecer Técnico COINE/DIRRE, elaborado por técnicos comprometidos do INEMA em 2017, e que foi posteriormente abandonado e esquecido foi absolutamente claro: “A ÁREA ESCOLHIDA PARA O ATERRO É UM ECOSSISTEMA HÍDRICO ATIVO” com nascentes e afloramentos localizados diretamente sob a infraestrutura projetada. Não era uma sugestão! Era uma constatação técnica irrefutável. O parecer identificou que a Formação São Sebastião — o aquífero mais produtivo da Bacia do Recôncavo — apresentava lençol freático raso, afloramentos e drenagem ativa, aumentando exponencialmente o risco de interceptação da água subterrânea, instabilidade do subleito, geração de chorume e migração de contaminantes a jusante. Tudo documentado. Tudo ignorado. A empresa recebeu Licenças de Instalação e Operação em “completa divergência com as normas ambientais vigentes”, como registra o relatório de diagnóstico de abril de 2026. Não é incompetência. É desrespeito institucionalizado.
Abril de 2022: O Aviso que Ninguém Quis Ouvir
Quando as escavações do aterro sanitário foram iniciadas em 2021, novo afloramento ou “Lagoa Azul” foi identificado. Não era uma surpresa — estava previsto no Parecer de 2017. Mas a máquina continuou funcionando. O lixo foi chegando e começou a ser despejado na área. As 400 toneladas diárias de resíduos (e a empresa agora quer ampliar para 3 mil toneladas diárias!) continuaram sendo dispostos sobre um aquífero que grita por proteção através de suas nascentes. Este afloramento de 2023 foi apenas o primeiro aviso que a natureza deu. Havia mais para ser visto!

Abril de 2026: A Materialização do Desastre Previsto
Oito anos após o indeferimento do pedido de LP pelo mesmo INEMA/BA, posteriormente aceito para viabilizar o empreendimento privado, o registro aéreo de abril de 2026 materializou o que os técnicos do INEMA já sabiam: o aterro foi construído exatamente onde não deveria estar. A Figura 3 demonstra, com clareza irrefutável, um afloramento/nascente com águas cristalinas — a tal “Lagoa Azul” — a apenas 94 metros do maciço de “lixo exposto”. Não é uma coincidência. É a confirmação de que a área escolhida é, de fato, uma zona de afloramento e drenagem hídrica natural.
Os pontos P156, P157, P158 e P159 identificados pelo INEMA em 2017 estão integralmente no interior da célula de disposição de resíduos. A distância de 200 metros exigida pela NBR 13.896/1997 foi reduzida a zero. A Área de Preservação Permanente (APP) de 50 metros entorno de nascentes, exigida pelo Código Florestal foi completamente suprimida. A operação do aterro sanitário viola frontalmente não apenas uma norma técnica, mas um conjunto de dispositivos legais que deveriam proteger este aquífero estratégico, uma vez sua importância para a RMS.
A gravidade da situação demonstra que o afloramento do aquífero situa-se a menos de 100 metros da área atual do aterro para disposição de lixo, contrariando diversos dispositivos legais pertinentes, como o Código Florestal Federal (Lei 12.651/12), Resolução CONAMA 420/2009, Resolução CONAMA 404/2008 e ABNT/NBR 13896/87 e o próprio Parecer do INEMA do 2017.

O Risco Iminente: Quando a “Lagoa Azul” Vira “Lagoa Tóxica”
A ironia cruel desta situação é que os afloramentos registrados em 2022 e 2026 não são um capricho estético da natureza. Sua coloração verde-clara indica a presença de minerais dissolvidos, variações de pH e processos de oxidação típicos de águas subterrâneas expostas.
Em condições naturais, este aquífero estaria protegido por camadas geológicas que garantem sua estabilidade físico-química. Em Simões Filho/BA, entretanto, foi convertido em uma “piscina” aberta, sujeita aos desmandos da área ambiental estadual e municipal, aporte de sedimentos finos e, de forma particularmente preocupante, à influência direta de fluxos contaminantes oriundos do aterro sanitário próximo.
A pressão hidrostática ascendente das nascentes suprimidas, combinada com o peso do maciço de resíduos de cima para baixo, pode causar o colapso do sistema de impermeabilização da base. Uma vez rompida a geomembrana, o chorume — aquele líquido altamente tóxico resultante da decomposição do lixo — infiltrará diretamente no lençol freático. Por se tratar de um aquífero arenoso e altamente permeável, os contaminantes se dispersarão rapidamente, inviabilizando a exploração de poços de abastecimento públicos, identificadas como estratégicos pelo Plano de Abastecimento de Água da RMS (PARMS). A “Lagoa Azul” de 2026 pode se transformar na “Lagoa Tóxica” de 2027.
O Conflito de Governança: Quando o Órgão Licenciador Vira Réu
O que torna esta situação ainda mais grave é que o INEMA — o órgão que deveria fiscalizar e proteger os recursos hídricos — agora figura como réu na Ação Civil Pública 1082626-14.2025.4.01.3300, juntamente com a empresa privada. Este conflito institucional revela um cenário de “governança ambiental” que funciona ao contrário: em vez de proteger o meio ambiente, o órgão licenciador acaba justificando atos administrativos questionáveis, produzindo manifestações “dissociadas dos fatos técnicos e das exigências normativas aplicáveis”.
O Abastecimento de Salvador em Risco Real
Enquanto a “Lagoa Azul” de Simões Filho permanece cercada por mais de 100 mil toneladas de lixo, e a empresa planeja ampliar o aterro para 3 mil toneladas diárias (um aumento de 750%), a Região Metropolitana de Salvador enfrenta um déficit hídrico crescente. O Plano de Abastecimento de Água da RMS (PARMS) de 2015 já indicava um déficit de 1,71 m³/s, com projeções de aumento para 4,56 m³/s até 2040. A exploração do Aquífero São Sebastião é apontada como uma das principais estratégias para mitigar esta escassez. Mas como explorar um aquífero que está sendo contaminado por um aterro ilegal? Como garantir a segurança hídrica de 1 milhão de habitantes quando o órgão responsável pela proteção ambiental figura como réu em uma ação civil pública? A “Lagoa Azul” de Simões Filho não é apenas um problema ambiental local. É uma ameaça à segurança hídrica de toda a Região Metropolitana de Salvador.
A Urgência de Medidas Rigorosas
O que se observa no aterro de Simões Filho é a exposição direta de um aquífero subterrâneo — um sistema hidrogeológico que deveria ser protegido e foi transformado em uma chaga num empreendimento de alto risco ambiental. As omissões e negligências no processo de licenciamento, a subavaliação hidrogeológica decorrente de insuficiência de sondagens profundas, as deficiências na modelagem de fluxo subterrâneo e o acobertamento na identificação do nível freático real revelam falhas estruturais que exigem ação imediata. O Ministério Público Federal deve fazer uma inspeção urgente no aterro. Os peritos devem comparecer antes da construção/ampliação do aterro sobre o afloramento registrado. A Justiça Federal deve considerar a reavaliação da competência administrativa para o licenciamento, inclusive com o direcionamento da análise para o IBAMA, como forma de garantir a efetividade dos princípios da prevenção e da precaução que estruturam o direito ambiental. A “Lagoa Azul” de Simões Filho não é um atrativo turístico. É um grito de alerta que a natureza insiste em fazer, enquanto as instituições fingem não ouvir.