O que a Ciclus Amazônia S.A. e Aegea Saneamento e Participações S.A. não mencionaram aos moradores de Acará no Pará?
Ciclus Amazônia e a AEGEA no Estudo de Impacto Ambiental [EIA] da CTR METROPOLITANA, publicado em setembro de 2025, empreendimento aterro sanitário de resíduos sólidos urbanos (domiciliares e públicos), não dizem que pretendem enterrar mais de 18 MILHÕES DE TONELADAS DE LIXO NA CIDADE RELIGIOSA DE ACARÁ, no Pará.
Escondem a informação dos moradores de Acará/PA.
Vejamos.
Por dia: 1.700 ton/Lixo
Por mês: 51.000 ton/Lixo
Por ano: 612.000 ton/Ano
Em 31 anos: 18.972.000 ton/Lixo (dezoito milhões e novecentos e setenta e dois mil) TONELADAS DE RESÍDUOS SÓLIDOS DOMICILIARES.
Na última sexta-feira 20 de fevereiro de 2026, a Audiência Pública a ser promovida pela Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade (Semas) do Governo do Estado do Pará, evento que seria realizado a pedido da empresa privada Ciclus Amazônia S.A. CNPJ no. 53.769.781/0001-40, que vem a ser uma subsidiária da Aegea Saneamento e Participações S.A. – CNPJ Principal: 08.827.501/0001-58, mostrou que há uma enorme, monumental insatisfação dos moradores do município de Acará com a instalação desse mega aterro sanitário privado em terras privilegiadas pela natureza.
A audiência pública em questão, da CICLUS AMBIENTAL/AEGEA/ SEMAS, iria tratar da instalação de aterro sanitário no município de Acará, no Pará, denominado CTR METROPOLITANA.
Acará é um município brasileiro no estado do Pará, integrante da região de influência de Belém, com população estimada em 2025 em 63.110 pessoas.
Localizado a cerca de 100 km da capital [Belém], tem economia baseada na agricultura (dendê, mandioca, pimenta-do-reino), extrativismo e pecuária, com forte presença ribeirinha. O nome tem origem tupi e o rio Acará é o principal acidente geográfico. O setor de serviços é significativo.
Município religioso, Acará possui uma forte tradição de eventos religiosos, com destaque para o Círio de Nossa Senhora de Nazaré, que é um dos mais expressivos da região no Pará. Lá está localizada a Paróquia São José, no município de Acará/PA, pertencente a Diocese de Abaetetuba – CNBB Norte 2, de onde parte tradicionalmente em novembro de cada ano (dias 15 ou 16), procissões pelas ruas da cidade reunindo milhares de fiéis.

É nesse município religioso de Acará que a CICLUS AMAZÔNIA/AEGEA desejam muito instalar um aterro sanitário para enterrar mais de 18 milhões de toneladas de lixo, em terras com proximidade de recursos hídricos, pelo menos mais de uma dúzia, que abastecem áreas na cidade religiosa.
O empreendimento consiste na instalação de uma Central de Tratamento e Disposição Final de Resíduos Sólidos Urbanos, denominada CTR Metropolitana, que será composta por um aterro sanitário e unidade de tratamento do chorume (ETC) e a unidade de captação e queima de Biogás.
A CTR Metropolitana da Ciclus Amazônia S.A. integrante do portfólio da AEGEA, tem por localização o município de Acará/PA, com acesso pela rodovia Perna Leste. A área total destinada à implantação desse empreendimento é de 1.035.000 m² (103,50hectares).
Se licenciada ambientalmente poderá vir a receber até 1.700 ton/dia de resíduos sólidos urbanos (domésticos e públicos) de diversas cidades paraenses, incluindo Belém a capital.
Devido ao tamanho da área, o aterro sanitário poderá receber os resíduos sólidos urbanos por um período de 31 anos. Basta lembrar de coincidências técnicas, de que o bilionário contrato da CICLUS com a Prefeitura de Belém tem prazo de 30 anos.
Significa, em tese, que um morador que hoje tem 70 anos poderá viver o resto de sua vida cheirando lixo do aterro sanitário da Ciclus Amazônia S.A. integrante do portfólio da AEGEA, em Acará, uma cidade religiosa de destaque no Pará.
A CTR Metropolitana, empreendimento da Ciclus Amazônia S.A. integrante do portfólio da AEGEA, visa destinar os resíduos sólidos gerados por 9 (nove) municípios no Estado do Pará: Belém, Acará, Ananindeua, Benevides, Barcarena, Castanhal, Santa Bárbara do Pará, Santa Isabel do Pará e Marituba, na Região Metropolitana de Belém.
Um cálculo simbólico do preço da tonelada destinada em aterro sanitário praticado por prefeitura do Pará, de R$ 124,00 em 2024, significa que a vida útil da CTR Metropolitana de 31 anos, o mega aterro sanitário em Acará/PA, poderá vir a gerar o montante de R$ 2.352.528.000,00 (dois bilhões e trezentos e cinquenta e dois milhões e quinhentos e vinte e oito mil reais), considerando o preço de 2024 para as 1.700 toneladas diárias.
Se atualizado esse valor de R$ 2.352.528.000,00 no mercado de resíduos do Pará, e ainda considerar os reajustes anuais [no prazo de 31 anos], e as correções financeiras [mecanismos essenciais em contratos de longo prazo no Brasil, destinados a manter o equilíbrio econômico-financeiro entre as partes], se terá certamente um valor bilionário estratosférico muito maior que esses 2 bilhões de reais correspondentes em 2024..
A audiência pública sobre o aterro sanitário no Acará terminou em confusão e com várias pessoas feridas. Um campo de batalha nunca visto em audiências públicas de instalações de aterros sanitários no Brasil.
Os moradores alegam que foram impedidos de entrar no ginásio onde iria se realizar a audiência pública da Ciclus Amazônia e Aegea. Segundo eles, bombas, balas de borracha e gás lacrimogênio foram usados para afastar os manifestantes. Muitos são contra a instalação do aterro no município de Acará/PA. Por causa do tumulto, a audiência pública foi cancelada, o que obriga a SEMAS a realizar nova publicação que certamente demandará mais 45 dias para o novo evento.
A Defensoria Pública do Estado do Pará já havia pedido a suspensão da audiência pública sobre a instalação da Central de Tratamento de Resíduos Sólidos (CTR), mas o Tribunal de Justiça do Pará (TJPA) negou o pedido e manteve a realização do evento.
Segundo a empresa Ciclus/Aegea, a audiência pública “constitui etapa legal obrigatória do processo de licenciamento ambiental e será reagendada pelos órgãos competentes, de modo a assegurar a participação da sociedade”.
Ora, nada falam sobre os quilombolas e povos tradicionais. Esses com direitos de participação no processo de licenciamento ambiental do aterro sanitário em Acará/PA, desse o seu protocolo na SEMAS, assegurando os direitos previstos na Convenção n° 169 da OIT.
A Aegea Saneamento e Participações S.A. adquiriu a totalidade das ações da Ciclus Ambiental S.A. e sua subsidiária integral, Ciclus Ambiental Rio S.A., por meio de contrato firmado com a Simpar S.A. e sua controlada CS Brasil Holding. A operação foi avaliada em R$ 1,9 bilhão (R$ 1,1 bilhão de equity value e R$ 804 milhões de dívida) e representa um movimento estratégico relevante no setor de gestão de resíduos sólidos. Foi negociado o aterro sanitário em Seropédica.
A Aegea não tem um único “dono”, mas sim um grupo de acionistas controladores, sendo os principais a holding brasileira Equipav, o Fundo Soberano de Cingapura (GIC) e a Itaúsa, com a liderança executiva exercida pelo CEO Radamés Casseb, que também é um dos fundadores
A CICLUS assinou contrato de parceria pública e privada com a Prefeitura de Belém, em 7 de fevereiro de 2024, tendo formalizado o valor fixo mensal milionário de R$ 32.668.572,59 para a realização dos serviços de limpeza pública, que englobam as atividades operacionais de coleta e transbordo, transporte e triagem para fins de reutilização ou reciclagem e destinação final. O contrato de concessão de 30 anos tem valor total de R$ 11.760.686.131,65.
O contrato com a Prefeitura de Belém estabelece a construção de um novo centro de tratamento de resíduos sólidos urbanos, que deverá ter capacidade para receber mais de duas mil e quinhentas toneladas de materiais por dia.
Isso por si só deverá ser profundamente questionado, entre outros itens, já que a empresa CICLUS não possui aterro sanitário para atender o contrato de concessão firmado com a Prefeitura de Belém, e eventual negativa de licenciamento ambiental do empreendimento, que não existe, que apenas há projeto no papel tramitando na SEMAS, essa empresa privada não terá como cumprir a PPP do Lixo no Pará.
O desembargador Luiz Gonzaga da Costa Neto, integrante da 2ª Turma de Direito Público, determinou a intimação da Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade (Semas) para que dê prosseguimento no processo de licenciamento ambiental que vai avaliar a possibilidade de instalação de uma Central de Tratamento de Resíduos Sólidos Urbanos no município de Acará, nordeste do Pará. Proferida no último dia 22 de outubro de 2025, a decisão aprecia agravo de instrumento interposto pela Prefeitura de Belém. Isso significa que no final da tramitação do processo de licenciamento ambiental do aterro sanitário em Acará/PA, pode não ser aprovado, como já aconteceu. A Justiça do Pará não obriga que o órgão ambiental SEMAS conceda uma licença ambiental sem a devida análise legal.
O Ministério Público do Pará (MP-PA) recomenda que a Semas observe rigorosamente os impactos ambientais no licenciamento de aterros sanitários.
Imagens que ficaram na memória de milhares de moradores de cidades do Pará e que correram o mundo.

A empresa CICLUS/AEGEA publicou em sua página na internet uma NOTA PÚBLICA para justificar a suspensão da audiência público requerida por essas empresas a SEMAS.





















